Perícia do auxílio-acidente: 7 dicas para o INSS reconhecer a sua sequela
A perícia do auxílio-acidente é diferente da perícia do auxílio-doença. No B91/B31, o perito busca incapacidade temporária. No auxílio-acidente, o que importa é a sequela permanente e a redução da capacidade para a atividade habitual — e isso muda completamente o que precisa ser provado. Sete pontos práticos que fazem diferença:
1. O foco é a sequela, não a doença atual
Em muitos casos, o paciente chega à perícia do auxílio-acidente com a doença ou lesão já estabilizada. Não há mais “tratamento agudo” para mostrar. O que existe é o estado funcional residual: o que ficou depois da alta.
Antes da perícia, faça um exercício mental: quais movimentos específicos você não consegue fazer mais? Quais força você perdeu? Que tarefas do seu trabalho ficaram impossíveis ou exigem esforço extra? Anote — e leve essa lista.
2. Peça um laudo médico específico para auxílio-acidente
Não basta o atestado do tratamento que você fez no B91 ou B31. Peça ao seu médico (ortopedista, neurologista, otorrinolaringologista, oftalmologista — conforme o caso) um laudo atualizado contendo:
- CID da sequela (não da doença aguda);
- Descrição da sequela permanente — perda de força, restrição de movimento, dor crônica;
- Atividade habitual do paciente e como cada limitação impacta tarefas específicas;
- Indicação expressa de que a sequela é permanente (não é só “ainda em tratamento”);
- Comparativo com função pré-acidente, quando possível.
3. Leve os exames que confirmam a permanência
A diferença entre um pedido bem-sucedido e uma negativa frequentemente está nos exames específicos:
- Sequela auditiva → audiometria recente (últimos 6 meses);
- Sequela ortopédica → ressonância, RX, raio-X funcional;
- Sequela neurológica → eletroneuromiografia;
- Sequela visual → exame oftalmológico com campimetria;
- Amputação → relatório cirúrgico e fotografia atual.
Sem exame específico, o perito pode argumentar que a sequela não está objetivamente comprovada.
4. Descreva a redução na linguagem do seu trabalho
Esse é o ponto mais negligenciado. O auxílio-acidente exige redução da capacidade para a atividade habitual — o que é “habitual” varia muito conforme a profissão.
- Pedreiro com hérnia residual: “carregar saco de cimento de 50kg, que era rotina, hoje gera dor incapacitante”;
- Costureira com túnel do carpo bilateral operado: “não consigo mais manter a pressão da máquina por 8 horas — antes fazia 100 peças/dia, hoje faço 30”;
- Operador de telemarketing com PAIR (perda auditiva): “não distingo mais sons graves em ligações ruins, perco informação dos clientes”.
Esse tipo de descrição concreta vale dez laudos genéricos.
5. Não dramatize — e não minimize
Descreva a limitação como ela é. Exagerar pode soar pouco crível e provocar registro de “inconsistência”. Minimizar (por orgulho, constrangimento ou por achar que “tem gente pior”) leva direto à negativa. A frase certa é: “consigo fazer X com esforço adicional / não consigo mais fazer Y / preciso de pausa após Z”.
6. Se a sequela é antiga, traga a linha do tempo
Em casos antigos (B91 ou B31 há vários anos), o perito pode estranhar o pedido. Antecipe: prepare uma linha do tempo com os acontecimentos — data do acidente/diagnóstico, datas dos tratamentos, data da alta, evolução da sequela, eventos relevantes. Isso mostra que a sequela é estável e antiga, sem ter melhorado — exatamente o critério do auxílio-acidente.
7. Anote o nome do perito e o que foi discutido
Logo após sair da perícia, anote: nome do perito, horário, perguntas feitas, exames consultados (ou ignorados), conclusão verbalizada. Em caso de necessidade de recurso, essas anotações são valiosas para preparar a contestação ao CRPS.
Mesmo com toda a preparação, negativas acontecem — muitas vezes por divergência técnica entre médico assistente e perito. Veja o passo a passo do recurso ao CRPS e o guia completo do auxílio-acidente.
Conteúdo orientativo. Para análise do seu caso específico, fale conosco.
Dúvidas frequentes
Laudo médico atualizado com CID e descrição da sequela; exames específicos (audiometria, RX, ressonância, eletroneuromiografia, exame oftalmológico conforme o caso); carta de cessação do B91/B31 anterior; CAT, quando houver; PPP e LTCAT, se aplicáveis; CTPS e contracheques anteriores ao evento; lista de medicamentos em uso. Quanto mais clara a documentação da limitação funcional concreta, melhor.